Depois de dominarmos o Limitador de Binário e o Smoke Limiter (AFR), está na hora de olharmos para o componente que torna a queima eficiente e garante o rendimento a sério: o Turbo.
Num motor turbodiesel antigo como o 1.9 TDI (EDC15P+), simplesmente injectar mais gasóleo não serve de nada se não dermos ar suficiente para o queimar. No entanto, subir a pressão do turbo sem critério é a receita perfeita para um overboost, entrar em limp mode (corte de segurança da centralina) ou destruir a geometria variável do turbocompressor.
Hoje vamos ver como identificar e ajustar corretamente o Mapa de Pressão do Turbo e respetivos limitadores.
1. A Anatomia do Mapa de Turbo na EDC15
Na arquitetura Bosch EDC15, o mapa principal de regulação da pressão do turbo rege-se por duas variáveis fundamentais:
O Eixo X (Colunas): RPM (rotações por minuto do motor).
O Eixo Y (Linhas): Injeção de Combustível (geralmente em mg/str, exatamente o valor que o condutor está a pedir ou que é permitido pelos limitadores).
O Corpo do Mapa (Z): A Pressão Absoluta do Turbo (medida em milibares ou bar absolutos).
Atenção ao detalhe: A centralina trabalha com Pressão Absoluta. Isto significa que para saberes a pressão manometricamente real (aquela que vês no manómetro do carro), tens de subtrair a pressão atmosférica (cerca de 1000 mbar ou 1.0 bar). Se o mapa indica 2350 mbar, o turbo está a fazer 1.35 bar de pressão real acima da atmosfera.
2. Conversões e Fatores no WinOls
Para conseguires ler os valores de forma clara e sem adivinhações, configura os eixos e o corpo do mapa com os seguintes parâmetros standard para a EDC15:
Corpo do Mapa (Z - Pressão Absoluta):
Fator:
0.010000(ou1.000000dependendo do offset do driver, mas tipicamente para ler em mbar/bar absolutos usas um fator que converta os valores brutos para a escala de 1000 a 2600 mbar).Unidade:
mbaroubar
Eixo X (RPM):
Fator:
0.250000Unidade:
RPM
Eixo Y (IQ / Quantidade de Injeção):
Fator:
0.010000ou0.100000Unidade:
mg/str
3. O Perigo Oculto: O Limitador de Pressão de Turbo (Turbo Limiter)
Este é o erro de principiante mais comum: alteras o mapa principal de pressões para pedir 1.5 bar, testas o carro e ele corta a potência abruptamente assim que o turbo aperta. Porquê? Porque existe um segundo mapa chamado Limitador de Pressão de Turbo por Pressão Atmosférica.
Este limitador serve de salvaguarda física. Ele diz à centralina: "Independentemente do que o mapa principal peça, se a pressão ultrapassar o limite X, abre a geometria totalmente para cortar o boost".
Se vais subir a pressão máxima de origem (por exemplo, de 1.35 bar para 1.5 bar), tens obrigatoriamente de subir este limitador em paralelo, garantindo uma margem de segurança de cerca de 100 a 150 mbar acima do teu mapa principal.
4. Boas Práticas para uma Modificação Segura
Progressão nas Rotações: Não peças picos de pressão massivos logo nas baixas rotações (1800 - 2100 RPM). Um turbo de geometria variável (VNT) de origem (como o Garrett GT1749VA do motor ASZ) sofre enormemente com picos de binário e pressão a baixa rotação, o que empena o veio ou cola a geometria devido ao carvão. Deixa o turbo subir de forma linear e segura.
Controlo da N75 (Geometria): O mapa da N75 define o ciclo de trabalho (duty cycle) da vácuoválvula que comenda a geometria. Embora para pequenos ajustes o mapa principal de pressões seja suficiente, mexer excessivamente na N75 sem compreender os limites da wastegate/atuação eletrónica causa oscilações severas na pressão (sawtooth effect).
Respeita os Limites do Hardware: Um turbo de origem de 130cv foi projetado para trabalhar confortavelmente até cerca de 1.45 / 1.5 bar contínuos. Forçar valores superiores a 1.6 bar num turbocompressor de fábrica reduz drasticamente a sua fiabilidade térmica e mecânica.


